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Archive for the ‘opinião’ Category

Bela Vista

Foto: Hélio Bertolucci Jr.

Já foi um lugar de negros fugitivos, mas ganhou fama  pela presença da imigração italiana, dos calabreses, que nele foram instalando inúmeras  cantinas.

O 1º de outubro, considerada a data oficial do bairro, foi o dia em que o imperador Dom Pedro II oficializava num terreno entre as ruas Abolição, Major Diogo, Santo Antonio e São Domingos a construção da Santa Casa de Misericórdia, doado por Antônio José Leite Braga proprietário de vários terrenos na região. Contudo, alguns médicos acharam que ali não era o lugar apropriado para abrigar um hospital e este foi construído na Vila Buarque.

Por que Bixiga? Algumas hipóteses: A primeira diz que os negros que contraiam varíola (bexiga) eram isolados na Baixada do Piques. A segunda é que na região da Rua Santo Amaro existiu um matadouro onde se vendiam bexigas de bois e uma terceira  hipótese ganhou este apelido  de José Bexiga que era dono da estalagem do Bexiga. O nome “Bixiga” não existe oficialmente.

O certo que o bairro ficou mesmo  famoso por suas cantinas, restaurantes e pizzarias,  tornando-o no  inicio da década de 1990 um dos lugares mais badalados de São Paulo, com inúmeros bares com música ao vivo, em especial com cantores de MPB.

Bixiga do café Piu-Piu, do Café do Bexiga, dos inúmeros karokês que existiram na Rua Rui Barbosa.

Bixiga da Igreja e festa da Achiropita, da feirinha de antiguidades na Praça Dom Orione, das lojas de antiquários que funcionam em alguns casarões que  resistiram ao tempo.

Bixiga dos pães italiano, da Padaria 14 de Julho,  São Domingos, Basilicata e Italianinha.

Bixiga dos teatros Oficina, TBC  e Zaccaro (os dois últimos infelizmente fechados). Da danceteria Aquarius que funcionou, no final da década de 1970, no Teatro Zaccaro.

Bixiga do Armandinho do Bixiga , do Adoniram Barbosa e de Dona Yayá.

Bixiga do Vila Tavola, Speranza, Conchetta, Roperto e tantos outros pequenos restaurantes, bares e pizzarias.

Bixiga da Escola de Samba Vai-Vai.

Contudo, esta Bela Vista do Bixiga precisa ser melhor cuidado e o melhor presente que as autoridades poderiam dar a este bairro tão tradicional é a limpeza urbana, pois o bairro anda muito sujo e o tombamento de muitos imóveis importantes que ainda contam a história deste lugar bucólico.

Parabéns Bixiga!!!

 

 

Bela Vista

Foto: Hélio Bertolucci Jr.

Bela Vista

Foto: Hélio Bertolucci Jr.

Visite também: Chega de Demolir S!P – Fotográficas

 

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Arquivo Histórico do Município "

Arquivo Histórico do Município - Foto: Hélio Bertolucci Jr.

Sempre acreditamos que já lemos, vimos ou descobrimos tudo sobre a cidade de São Paulo e esta sempre nos surpreende com alguns lugares históricos as vezes escondidos onde pouco circulamos porque sempre estamos acostumados a visitar os chavões turísticos – não que eles não sejam interessantes -, como: Masp, Museu do Ipiranga, Catedral da Sé, Pateo do Colégio, Bairro da Liberdade, Pinacoteca do Estado, etc.

Caso busque fazer um passeio diferente, sugiro visitar o bairro do Bom Retiro, consagrado no filme “O ano em que meus pais saíram de férias”, do diretor Cao Hamburger.

Desembarcando na estação do Metrô Tiradentes observe nas imediações a bela edificação do Convento da Luz com seu Museu de Arte Sacra, fundado em 1774. Saia em direção ao bairro do Bom Retiro, mais famoso por suas lojas de confecções e estará na Praça Coronel Fernando Costa que abriga um conjunto de construções históricas como os dois edifícios projetados por Ramos de Azevedo, o da Fatec e Escola Técnica Estadual Paula Souza e o edifício do Arquivo Histórico Municipal “Washington Luís”, que completou cem anos em 2007.

A Praça Coronel Fernando Prestes passou por uma grande reforma de restauração e urbanização – ganhando de volta seu traçado original -, dentro do programa Monumenta (Programa de Preservação do Patrimônio Cultural Urbano), concebido pelo Ministério da Cultura com o apoio da Unesco e do Bid em conjunto com os governos municipais e estaduais  É um lugar muito seguro, pois abriga também um QG da Polícia Militar.

Estando neste local chamo a atenção para o edifício do Arquivo Histórico do Município, sua beleza arquitetônica, que é a marca registrada de Ramos de Azevedo e para sua importância histórica e arquivista para a cidade de São Paulo.

O AHMWL (abreviação utilizada) ocupa o Edifício Ramos de Azevedo desde 1999, antigo gabinete de Eletrotécnica da Escola Politécnica de São Paulo. Conserva toda a vida pública paulistana, abrangendo o período de 1555 a 1921. Seu acervo atual é composto de 4,5 milhões de documentos textuais e iconográficos. Reúne ainda outros conjuntos documentais entre plantas, projetos arquitetônicos e mapas da cidade.

No subsolo – com seus tijolos aparentes e tetos em arcos, típico das construções de Ramos de Azevedo – funciona, dentro de várias salas, os setores de higienização, restauros, etc. Quando visitei este edifício uma funcionária, do setor de restauração, me mostrou alguns documentos originais, entre eles as Atas da Câmara Municipal de Santo André da Borda do Campo de 1555. Seguidamente vimos um livro do Cemitério de São Miguel Paulista da década de 20 que estava sendo preparado para ser restaurado. Nas páginas deste livro constam registros de óbitos contendo muitas informações como:  filiação, causa mortis, etc. Muitas pessoas e estudantes pesquisam esses livros, ora para fazer levantamentos familiares, ora para estudar as doenças da época.

É interessante que se agende a visita para conhecer todas as suas instalações como o pátio, o auditório, as antigas salas de aulas, finalizando no subsolo. É tudo muito bonito e de certa forma o edifício está bem cuidado e teve sua fachada recentemente restaurada.

Depois de visitar o belo edifício do Arquivo Histórico, caminhe pela região e visite também a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora e Instituto Dom Bosco. Na Rua Três Rios chamo a atenção a bela arquitetura do antigo colégio Santa Inês, o Teatro Taib, a Oficina Cultural Oswald de Andrade e o Instituto Cultural Israelita Brasileiro.

Bateu fome?  Vá até a Rua da Graça e encontrará o badalado restaurante Acrópole com culinária grega ou ainda na Rua Silva Pinto a Casa Búlgara com seu famoso salgado “bureka”

Para quem pensa que fazer um roteiro turístico e conhecer um pouco da história da cidade distancie-se um pouco das ruas centrais e vá para o  bairro do Bom Retiro junto a região da Luz. Estas localidades trarão grandes surpresas históricas e arquitetônicas.

•Arquivo Histórico do Municipal “Washington Luiz”

Endereço: Rua Coronel Fernando Prestes, 152 – Tel: 3396-6000

Visitas monitoradas: educativoarq@prefeitura.sp.gov.br

• Restaurante Acrópole – Rua da Graça, 364

• Casa Búlgara – Rua Silva Pinto, 356

Veja matéria do Jornal da Gazeta sobre o Arquivo Histórico do Município.

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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Recentemente li o livro “Meu Velho Centro. Histórias do Coração de São Paulo”, publicado pelo selo SESC-SP/Boitempo Editorial, do jornalista Heródoto Barbeiro.

Heródoto descreve com suavidade seu tempo de infância, adolescência e idade adulta vividos no velho centro da cidade de São Paulo, ou carinhosamente como ele mesmo descreve “Centrão”.

Para quem frequentou ou mesmo frequenta e conhece um pouco da região, o livro traz uma viagem ao tempo, antigos lugares, ruas, casas e personagens. Uma vida cotidiana que não existe mais naquela São Paulo a partir das décadas de 1940. O livro também traz fotos interessantes da cidade e do álbum da família Barbeiro.

No final do livro está uma foto da Igreja da Boa Morte localizada na Rua do Carmo e que recentemente foi entregue toda restaurada. Infelizmente ao lado da foto da Igreja da Boa Morte está a do antigo quartel do Parque Dom Pedro II, que há anos encontra-se em abandonado e se deteriorando dia após dia.

O jornalista comenta também sobre a revitalização do Centro e suas fachadas repletas de anúncios. Atualmente muitas edificações da região central foram restauradas e já não carregam publicidades desde que foi implantada a operação “Cidade Limpa” do prefeito Gilberto Kassab. 

O livro faz uma viagem ao tempo, contudo, nos faz ter um conhecimento de que a cidade conseguiu se modernizar e ainda manter alguns lugares bucólicos como naquela década, lugares estes que precisam ser conhecidos pelos paulistanos e pelos admiradores desta cidade.

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Imagens que falam por si. Muitas construções preservadas e outras de completo  abandono dentro do cenário da cidade de São Paulo. É o patrimônio da nossa história, nossa gente, através de antigas residências, construções fabris, vilas, hotéis, etc.
Rua Caio Prado. Consolação

Rua Caio Prado. Consolação

 

Fábrica Açucar União recentemente demolida. Mooca

Fábrica Açucar União recentemente demolida. Mooca

 

Antigo Hotel. Brás

Antigo Hotel. Brás


Hospital Matarazzo há anos fechado. Bela Vista

Hospital Matarazzo há anos fechado. Bela Vista

Antiga fábrica da Neofarm. Bom Retiro

Antiga fábrica da Neofarm. Bom Retiro

Arquivo Histórico do Município recentemente restaurado. Uma bela iniciativa. Bom Retiro

Arquivo Histórico do Município recentemente restaurado. Uma bela iniciativa. Bom Retiro

 

Solar da Marquesa dos Santos passando por restauração. Centro

Solar da Marquesa dos Santos passando por restauração. Centro

Mais fotos:

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Foto: Hélio Bertolucci Jr.

Quando vivenciamos dias com muitas chuvas, alagamentos, congestionamentos e rios transbordando logo nos vêm a mente que desejamos pular desta estação do ano para uma com dias mais ensolarados. Contudo, nos dias de muito calor com nossa cidade fervilhando de pessoas, carros, ônibus, motos, com muita poluição, cercada de concreto, prédios e asfalto, queremos também que este período passe bem depressa. Temos uma insatisfação constante entre as quatro estações do ano que não andam tão certeiras como antigamente devido ao tal aquecimento global.

As cidades progrediram e se transformaram, mas muitas atitudes poderiam minizar esse tão fadado aquecimento. Uma delas seria resgatar as ruas em paralelepípedos que acabaram sumindo da paisagem urbana em nome do desenvolvimento e do progresso.

Recentemente apreciei o livro de Aurélio Becherini e observei que o nosso Centro era todo pavimentado em paralelepípedos. Era? Não! O Centro continua pavimentado em paralelepípedos, porém, todas as ruas de pedra foram escondidas em camadas e mais camadas de asfalto. Não só enterraram uma parte de nossa história escondendo as pedras, como também quilômetros e mais quilômetros de trilhos que serviram para as antigas linhas de bondes. Foi uma época de ouro, de grandes progressos que hoje só podemos admirar por fotografias.

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Foto: Aurélio Becherini

Na maioria das cidades brasileiras transformaram ruas antigas pavimentadas em pedra para asfalto em nome do sinônimo de desenvolvimento e progresso. Aqui na cidade de São Paulo são poucas as ruas que ainda sobrevivem e se estão assim é porque ainda não houveram reclamações de moradores que preferem sua rua mais silenciosa quando se tem um certo volume no trânsito de carros.

É certo que muitos carros transitando em ruas de paralelepípedos fazem um certo barulho, mas os benefícios que podem trazer são inumeráveis. Hoje elas não precisariam ser inteiras em paralelepípedos, mas se mantivessem alguns trechos já cooperariam para uma cidade mais ecológica e os proprietários de automóveis estariam economizando combustível e conseqüentemente a cidade teria menos poluição.

Conhecendo um pouco sobre esta pedra, ela tem este nome devido a forma paralelograma (6 faces) é uma rocha granítica e hoje é mais utilizada na confecção de jardineiras e contenção de encostas. Considerada um ótimo investimento para pavimentar ruas com percursos de baixa velocidade, ruas que trafegam veículos pesados e ainda tem o menor custo de manutenção e garantia de milênios.

É uma forma eficiente e barata de pavimentação ecologicamente correta, pois permite a infiltração da chuva, recarregando os lençóis freáticos e diminuindo os riscos de enchentes. O asfalto, por sua vez, reúne uma quantidade danosa de produtos tóxicos para sua produção, absorve e libera todo o calor de um dia ensolarado. Pode-se observar que, em ruas de muito tráfego de veículos pesados, o asfalto até cede e forma volumes devido ao calor excessivo e peso dos veículos. Uma rua de paralelepípedos, por questões geológicas absorve menos calor e com o passar do tempo desempenha funções importantes para o meio ambiente como o aparecimento de fungos, gramíneas entre outras espécies.

Desde o ano de 2005, segundo o site da Prefeitura de São Paulo, foram anunciadas que ruas e mais ruas perderiam seu charme em paralelepípedos para se transformarem em ruas de asfalto. Os bairros da Vila Maria e Vila Guilherme foram os últimos “condecorados” com o chamado “entrar no ano com o pé direito”. Acredito que a Zona Norte ainda era o lugar de São Paulo onde mais se tinham ruas calçadas de pedra. No biênio 2005/2006 foram recapeadas 50 e em 2007 mais 40 ruas. Em 2008, o prefeito Gilberto Kassab anunciou que a Prefeitura recapearia muito mais ruas e outras de terra também entrariam na lista de que receberiam capa asfáltica pela primeira vez. No entanto neste ano mais de 157 ruas em paralelepípedos sumirão da paisagem urbana da cidade.

É lamentável que nos dias de hoje, com tantas informações e estudos, as cabeças pensantes desta cidade em nome do progresso, utilizem verbas para asfaltar determinadas ruas já que as mesmas encontram-se pavimentadas em paralelepípedos, em bom estado de conservação, são ecologicamente corretas, sem contar, que estas verbas poderiam ser aplicadas em outras melhorias da cidade.

No caminho inverso do denominado progresso, a cidade paraibana de Campina Grande, optou por calçar algumas ruas com o pavimento de pedra e a cidade mineira de Ouro Preto mantém até hoje suas ruas com calçamento de pedra por questões históricas e de turismo. Nessas cidades com certeza os carros não deixaram de circular. Em julho último o blog ‘Amigos de Pelotas’ trouxe um debate acirrado se deveriam ou não cobrir com asfalto algumas ruas centrais daquela cidade gaúcha, substituindo as pedras pelo asfalto.

O que observo é que temos que caminhar para um mundo mais ecológico. Ainda é melhor informar os cidadãos da importância de se manter a cidade com este piso milenário em bom estado de conservação que poderá ainda servir para diminuir a velocidade dos veículos, se não em todo seu trajeto, pelo menos em determinados trechos , do que se pegar caminhões de asfalto e ir impermeabilizando toda cidade.

O que nosso país precisa é de governantes ecologicamente corretos e preocupados com o impacto de suas ações ao meio ambiente. A cidade de São Paulo que cresce desordenadamente, não seguindo a risca nenhum plano de desenvolvimento, ainda poderá entrar no rol das cidades ecologicamente corretas.

Como um internauta gaúcho respondeu no blog que promoveu o debate em Pelotas: “manter as ruas de paralelepípedos é uma questão de sensibilidade”. 

 

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